Não pude conter meu sorriso quando escutei meu cliente falar essa frase. Como VP de uma farmacêutica, ele vinha reclamando da loucura de sua agenda. Lotada de reuniões, ela o forçava a “trabalhar” somente depois do horário útil. E ele estava se estressando com isso.
Ao explorarmos sobre como sua equipe poderia ajudar a tirar esse peso, ele suspirou: “Já delego bastante, envio meus diretores para várias reuniões, mas parece que as pessoas não acreditam neles. Sempre querem que eu participe, ou então precisam checar comigo antes de tomar qualquer decisão.”
“E, pior: eu diria que em 99% dos casos, o que meus diretores falam é muito perto do que eu falaria. Então eu realmente não entendo o que está faltando. Por que os outros simplesmente não acreditam na palavra deles?”
Refleti que essa era uma ótima pergunta. Pensativo, ele contestou: “Não sei…acho que é a maneira como talvez eu fale. A confiança que eu projeto.”
E de onde vem essa confiança? Você tem algum conhecimento a mais que seus diretores?
“Na verdade, não. Por eles estarem mais próximos do problema, possivelmente eles têm mais informação do que eu. Acho que o ponto é que eu me comunico com mais assertividade mesmo sem ter absoluta certeza se isso está certo”.
Ele explicou: “O que aprendi na vida é que uma decisão precisa ser tomada. Então, eu decido. Analiso os riscos: se eu estiver errado, o que pode acontecer? Algo gravíssimo? Se sim, busco mais informações. Se não, eu sigo em frente, ciente de que posso ajustar a rota depois.”
Para ele, poucas decisões são irreversíveis. Portanto, sua estratégia é falar o que pensa, impulsionando a discussão adiante — não com a ideia de ter todas as respostas, mas de criar o movimento necessário para seguir em frente.
Essa maneira de pensar sobre comunicação executiva me pareceu inovadora. Para mim, seu cliente não é alguém que possui todas as respostas — ele é alguém capaz de tomar decisões a partir das informações disponíveis, mesmo que incompletas.
E essa prática é um excelente treino para todos nós. Muitas vezes, adiamos decisões por medo, gastando horas analisando detalhes que nem fariam diferença na maior parte das situações. Passei a refletir que nem toda decisão depende de ter a resposta definitiva — muitas delas simplesmente precisam de uma postura de segurança, que impulsiona a conversa e permite que novas informações surjam com o movimento.
Existem pessoas que, por sua formação e profundidade de conhecimento, conseguem embasar cada passo em dados sólidos. Para nós, reles mortais, talvez a estratégia do meu cliente seja um passo na direção de uma comunicação mais assertiva, uma liderança que conhece seus limites, mas que consegue avançar com segurança.
Então, da próxima vez que você se perceber travado numa discussão que não vai nem para trás nem para frente, que tal treinar tomar uma (ainda que pequena) decisão? É como eu digo…uma decisão só é difícil até ser tomada.

